Na tarde de quarta – feira, dia 30, o escritor Luiz Galdino esteve em um bate – papo com alunos e professores na biblioteca municipal de Leme/ SP, pelo governo de São Paulo no projeto Viagem Literária.
O escritor paulista de Caçapava, Vale do Paraíba, tem cerca de 50 livros publicados, que inclui ficção pra adultos, novelas infanto - juvenis, obras de não ficção (ensaios sobre a História e Pré – História brasileira), escreveu para o jornal Estadão e teve uma carreira de 20 anos na área de publicidade. Galdino conquistou quase 30 premiações com seus livros, entre eles o prêmio Jabuti e João de Barro, têm obras publicadas e estudadas na Alemanha, Itália, no México, Japão, Estados Unidos e Holanda, e o seu livro mais vendido é A vida secreta de Jonas.
Durante a conversa com o escritor, ele não abriu mão de falar do livro e da leitura do começo ao fim no bate – papo com crianças e professoras, e criticou os hábitos de leitura no Brasil. Galdino, explica que o empobrecimento da leitura no país se deve aos regimes militares.
" Se fala muito em perseguição política, e não se fala jamais daquilo que foi exatamente a destruição do ensino no país. A grande mudança que aconteceu no país foi isso, a destruição do ensino, principalmente, o ensino básico, e a universidade foi transformada em um grande negócio”.
Galdino, afirma que a escrita naquela época era exatamente o oposto da militância, e ainda hoje a escrita chega a ser o oposto daquilo que a sociedade vive no momento, nem sempre o que a sociedade vê é o que realmente acontece.
“Vemos uma coisa na televisão, enquanto a realidade é outra”.
O escritor falou também da sua infância, que teve forte influência de Monteiro Lobato, sonhava em conhecer Lobato sem mesmo saber que o criador de Emília já havia partido pra outra. Luiz Galdino, citou obras de Machado de Assis e um pouco de literatura universal, dentre elas, Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski.
Galdino acredita que as pessoas leem porque são influenciadas, porque veem outras pessoas lendo, e o fato de não termos leitores no país, torna uma tarefa difícil de mudar.
“A gente ouve o jovem dizer que não gosta de ler, a gente sabe que isso não é verdade, no Brasil não se lê nada. Os brasileiros não são mais os maiores nem no futebol, hoje o Brasil não é um país de nada. Hoje o Brasil é o país de um presidente que talvez porque não precisou estudar nada pra chegar onde ele está, ele chegou na televisão e disse que ler dá tédio. Um sujeito como esse, tinha que estar em casa, cuidando da família, fazendo uma coisa útil, ele está desvirtuando as pessoas, os seus subalternos todos, nesse país todo”.
“Desde criança eu escrevia aquilo que a escola pedia e o que não interessava. Eu era um sujeitinho de opinião”.
As crianças entusiasmadas participaram ativamente com dúvidas e perguntas sobre a vida e obras do autor, um dos alunos perguntou qual a forma de escrever e dicas para os iniciantes na área, o escritor disse não existir forma, teoria literária é bobagem, teoria literária você vivencia. Ainda questionado por alunos em obras e autores preferidos, Galdino volta a dizer que não tem preferidos, mas volta a citar Machado de Assis, Ricardo Guilherme Dicke, escritor Mato – grossense (embora pouquíssimas pessoas conheçam), Dostoiévski, Ziraldo com literatura infantil, capaz de transformar um joelho em um personagem educativo; e confessa não gostar muito de escrever para o público infantil, prefere escrever para jovens e adultos. Uma das crianças questionou se ele se considera um grande escritor. Galdino, respondeu que grande é o Guimarães Rosa.
O escritor não esconde sua paixão pelos índios, e explica que se o homem branco aprendesse tudo com os índios, seríamos mais civilizados, assim como aprendemos a tomar banho com os índios.
Luiz Galdino, que teve uma carreira de 20 anos na área de criação publicitária para comerciais de televisão, resolveu dedicar unicamente a escrita, e hoje, se sente realizado e feliz por fazer o que realmente gosta de fazer. Já a ponto de encerrar o bate – papo, explica que escrever não é um ato solitário, ler é um ato solitário, e conclui com um apelo.
“O Brasil precisa de gente mais educada e gente que lê mais”.
“O Brasil precisa de gente mais educada e gente que lê mais”.




